Manaus vive drama da falta de suprimento de oxigênio e pacientes dependem de ventilação manual para sobreviver.

O ano de 2021 não foi para o mundo o que se desejou com tanta vontade. Para praticamente todas as pessoas no mundo, essa guerra onde o inimigo é feroz, veloz, invasivo e invisível, a maldita guerra biológica mundial que não escolheu inimigo e nem alvos, vitimou milhões e continua acontecendo de forma injusta e perplexa.

O inimigo da humanidade sendo invisível e perigoso está em todos os lugares, se desloca com o vento e atinge a qualquer pessoa, seja esta vigorosa ou frágil. Não avisa onde e nem quando irá atacar, e nós seres humanos que criamos armas para nos destruir massivamente, assistimos e vivenciamos assustados os resultados de nossas ações insanas.
“Estamos perdidos entre monstros da nossa própria criação”.

Falta suprimento de oxigênio em Manaus

Manaus sofre penitente com a falta de equipamentos e de cilindros de oxigênio para tratar pacientes com covid-19 e se ouvem diariamente, relatos dramáticos da alternativa à qual algumas equipes de saúde estão recorrendo para lidar com a falta de aparelhos de ventilação mecânica: a ventilação manual. Em ambos os casos, o objetivo da ventilação é fazer artificialmente o trabalho do qual os pulmões e o corpo do paciente já não estão mais dando conta: de garantir a respiração e a circulação de oxigênio.

Aparelhos de ventilação mecânica eletrônicos são mais eficazes, mas, na falta deles, equipes costumam recorrer ao chamado reanimador manual autoinflável, conhecido também como “ambu”. Estes são impulsionados por uma bombinha de borracha apertada com as mãos, conectada por canais até chegar ao paciente em uma máscara facial ou em tubos inseridos em sua traqueia. “A ventilação manual tem sido usada frequente, e aconteceu desde os primeiros meses de pandemia. Isto porque a deficiência de ventiladores (mecânicos) e leitos de UTI no Amazonas é histórica”; comentou o médico Pierre Souza, especializado em pediatria e cirurgia geral.

Pacientes transferidos

O governo do Amazonas informou na sexta-feira (15) que 235 pacientes com covid-19 estão sendo transferidos da rede pública hospitalar de Manaus para sete Estados e Distrito Federal. Um primeiro grupo que estava internado na rede estadual foi removido na manhã de sexta-feira (15) para continuar o tratamento na capital piauiense, Teresina.
Segundo o Ministério da Saúde, as transferências ocorrerão por via aérea e estão garantidos – de imediato – 149 leitos: 40 em São Luís (MA); 30 em Teresina (PI); 15 em João Pessoa (PB); 10 em Natal (RN); 20 em Goiânia (GO); 04 em Fortaleza (CE); 10 em
Recife (PE) e 20 no Distrito Federal.
O Ministério da Saúde informou ainda que os pacientes que serão trasladados atendem a critérios clínicos definidos pela equipe médica. O transporte está sendo realizado em parceria com o Ministério da Defesa por duas aeronaves da Força Aérea Brasileira com capacidade de 25 pacientes deitados em macas.

Conjuntura em outros Estados

Teresina foi a primeira capital a receber pacientes de covid-19 provenientes de Manaus. O Estado do Piauí tem atualmente 52,1% de ocupação em leitos de UTI (146) e conta com 134 leitos disponíveis. Até o momento Piauí já registrou 2.930 mortes provocadas por covid 19. Segundo o governo do Piauí, o Estado tem 801 leitos ativos (entre UTI e enfermaria). Atualmente, os leitos de covid-19 estão 44% ocupados. O sistema informa que há 153 leitos de UTIs ocupados e outros 152 disponíveis.
Segundo informações do Painel Covid-19, atualizado pelo Governo do Maranhão, o estado tem 62,22% dos leitos exclusivos para pacientes com covid 19 ocupados. Atualmente, há 84 leitos livres, o correspondente a 37,78%. O estado registra 245 pacientes internados por coronavírus em leitos de UTI na rede pública hospitalar.

Dados da Secretaria de Saúde da Paraíba apontam que o estado tem 801 leitos ativos (entre UTI e enfermaria). Atualmente, os leitos para pacientes de covid-19 estão 44% ocupados. O sistema informa que há 153 leitos de UTIs ocupados e outros 152 disponíveis. O município com maior número de leitos é João Pessoa, com 139 leitos de enfermaria e 59 leitos de UTI.
O Rio Grande do Norte tem atualmente 64,29% dos leitos de UTI para tratamento de covid-19 na rede pública hospitalar ocupados. Segundo o governo do estado, 11 leitos de UTI e 9 leitos clínicos estão bloqueados para atendimento de pacientes. Esse bloqueio pode ser realizado por fatores como manutenção, rede de gases em manutenção, vazamentos ou falta de pessoal.
A secretaria de Saúde do estado de Goiás informou que a taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de covid-19 estão com taxa de ocupação de 59,29%. A capital goiana tem 295 leitos, dos quais 197 estão ocupados (66,78%). O município deve receber cerca de 20 pacientes de Manaus.

O governo do Ceará informa que no Estado, os leitos de UTI registram uma ocupação de 64,8% e estão com tendência de alta. Os dados disponíveis no sistema, contudo, ainda são referentes a dezembro de 2020.
Pernambuco apresenta informações sobre pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e indicam que há uma ocupação de 83% dos leitos de UTI na rede hospitalar do estado, com 973 pessoas em tratamento. Outros 892 pacientes ocupam leitos de enfermaria nos hospitais para tratamento de covid-19.

Brasília deve receber cerca de 20 pacientes de Manaus. Atualmente, o Painel Covid-19 no Distrito Federal registra 68,12% de ocupação em leitos públicos com suporte de ventilação mecânica. A rede inclui leitos em hospitais particulares do DF. Segundo o sistema, quase 80% dos pacientes permanecem até 15 dias em internação.

O coronavírus tem tratamento ou cura?

No momento, o tratamento consiste no básico: manter o corpo do paciente funcionando, o que inclui oferecer suporte respiratório, até que o sistema imunológico dele seja capaz de combater o vírus.

Três vacinas que até agora divulgaram dados sobre eficácia (da Pfizer/BioNTech, da Moderna e a Sputnik V) foram testadas em dezenas de milhares de pessoas, não apresentaram problemas significativos de segurança e nem reportaram reações adversas inesperadas nos voluntários. No entanto, ainda não se sabe quanto tempo dura a imunidade oferecida pela vacina. Os voluntários precisarão ser acompanhados durante muito mais tempo para que essa dúvida seja esclarecida.

Além disso, nenhuma das empresas apresentou uma análise detalhada de sua eficácia em diferentes faixas etárias, embora Tal Zaks, diretor-médico da Moderna, tenha dito à BBC de Londres que seus dados preliminares sugerem que a vacina “não parece perder sua potência” em pessoas mais velhas.

Ainda não se sabe se as vacinas simplesmente evitam que as pessoas adoeçam gravemente ou se também podem ajudar a impedir a propagação do vírus de uma pessoa para outra. Os hospitais também estão testando medicamentos para verificar se têm algum efeito. Até agora, dois deles conseguiram reduzir parte das mortes e dos casos graves: o remdesivir e a dexametasona.
O período de incubação, tempo decorrido entre o contágio e o surgimento dos primeiros sintomas dura até 14 dias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas alguns pesquisadores acreditam que pode ser de até 24 dias e, segundo cientistas chineses, alguns pacientes podem transmitir o vírus mesmo antes do aparecimento dos sintomas.

Silvio Rodrigues - Jornalista

Jornalista profissional com mestrado em Geografia Especialista em editorias: ambiental, politica, investigativo e sociedade.

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